Um dos temas mais fascinantes que a filatelia proporciona está ligado aos trens e ferrovias e através dos selos, é possivel se fazer uma fantástica viagem pelo tempo, regressando às origens dessas máquinas e trilhos que um dia deram início a uma grande contribuição para o progresso em todas as partes do planeta.
Mesmo diante da modernidade e com a tecnologia cada vez mais surpreendendo a todos, a paixão por antigas locomotivas segue forte no coração de quem é apaixonado pelos trens.
Sendo assim, volta e meia algumas administrações postais brindam os colecionadores com novas emissões do gênero, em geral, para celebrar eventos importantes ocorridos no passado ou para enfatizar alguns grandes feitos que só foram possiveis graças a mais esta maravilhosa invenção do homem.
Neste mês de junho, alguns selos novos alusivos ao tema entram em circulação e passam a incorporar a extensa galeria de selos dessa temática que, nas mãos de muitos colecionadores, são sempre dignas de merecidas premiações em exposições do gênero.
CENTENÁRIA LINHA FÉRREA NA SUÍÇA
Duas linhas férreas importantes na história da Suiça completam neste mês seus 100 anos de atividades. A primeira liga Niesen e Rhaetian e a out
ra, liga St. Moritz com Tirano, na Itália.
A primeira, chamada de Bernina, opera desde 1910 e atravessa belas regiões onde se encontra o lago Thun e chega a uma altitude de 1.600 metros dentro dos seus 3,5 quilômetros de extensão, já que permanece em sua originalidade.
A ferrovia Bernina é outra jóia da Suíça e em seu percurso até Tirano, atravessa por três regiões linguísticas com climas diferentes, passando por regiões com neve e geleiras e outras com belas palmeiras. Esta linha Bernina e sua irmã, na linha de Albula tornaram-se Patrimônio Mundial da Unesco.
TRENS DE KERETAPI
Uma coleção de selos especiais acaba de ser lançada pela Malá
sia para exaltar modelos de locomotivas que já prestaram serviços a KTMB – Keretapi Tanah Melayu Berhad, empresa responsável pelos trilhos naquele país e que chega aos seus 125 anos de atividades com o mesmo vigor do início. Além dos selos, foram emitidos uma folha filatélica, um livreto e pastas especiais.
PATRIMÔNIO AUSTRALIANO
Na terra dos Cangurus a paisagem é bela e uma viagem de trem pelo país pode revelar grandes surpresas ao viajante. Assim, os correios locais decidiram emitir novos selos para exaltar as jornadas sobre os trilhos. As peças e
xaltam o Ghan no Pacífico Índico, a West Coast Railway Selvagem, da Tasmânia e Kuranda Scenic Railway, em Queensland. A emissão tem ainda uma edição limitada de peças de primeiro dia de circulação com a reprodução de um carimbo de 1917 do Pacíficio Índico e para completar, mini-folhas, blocos e máximos-postais.
O sonho de voar de antigos mexicanos baseava-se na águia, um dos símbolos nacionais e há 100 anos as asas criadas pelo homem passaram a voar por todo o México através dos seus pioneiros. A primeira ascensão em balão no país aconteceu em 06 de fevereiro de 1785, e seu construtor e lançador foi Antonio Maria Fernandez, um morador e comerciante da região portuária. O balão era feito de papel e inflado com a fumaça produzida pela queima de palha. Depois, Benito Leon Acosta, passou vários anos estudando sobre os balões para poder então desenvolver algo maior, mais forte e que pudesse levar um homem. Conseguiu seu feito em 03 de abril de 1842 sobrevoando a Plaza de Toros de San Pablo na Cidade do México. Mas isso era pouco e 20 anos mais tarde, Don Joaquin de La Cantolla e Rico, que era admirador do balonista Samuel Wilson passou a fazer investigações sobre o ar rarefeito com a finalidade de construir um queimador de álcool para inflar o balão de ar quente e assim permitir que fosse controlado à vontade. No verão de 1909, Alberto Braniff aproveitou sua estada na Europa para ter aulas de pilotagem na escola Voisin Issy-les-Moulineaux, na
França. Depois de suas aulas, pagou a quantia de um biplano Voisin e ordenou que ele fosse enviado para o México com um mecânico. O biplano chegou em Vera Cruz em 9 de dezembro de 1909 e era todo complexo em sua estrutura e montagem. Apesar de várias complicações com o motor, Braniff persistiu em seu sonho e finalmente, em 08 de janeiro de 1910 conseguiu alçar vôo sobre as planícies de La Hacienda de Balbuena e pousar com segurança. Entre os curiosos havia apenas um jornalista do The Herald mexicano que publicou no dia seguinte: “Ele voou direito a uma distância de 500 metros e, em seguida, levantou-se normalmente a uma altura de vinte pés, correndo novamente por duas centenas de metros e, em seguida, levantou-se novamente como um pássaro até uma altura acima.” Aqu
ele foi o primeiro vôo de avião realizado no México e na América Latina, de maneira que este é sem sombra de dúvidas um evento importantíssimo para a história da aviação mexicana que celebra agora, através de uma emissão filatélica, os 100 anos do grande feito de Braniff.
O chamado “País do Sol Nascente” reserva muitos cenários magníficos e volta e meia os correios japoneses emitem selos postais com a finalidade de divulgar seus pontos de atração, já que anualmente o país recebe milhares de turistas. O Serviço Postal do Japão acaba de lançar a primeira de uma série de selos voltados à beleza de suas paisagens enfatizando nesta primeira emissão vistas de Matsushima, Castelo de Sendai, Jozenji, Tanabata e Rinnoji além de uma bela folha filatélica que dá um toque todo especial à série. A previsão é de que sejam emi
tidas sete séries do gênero que vão dar, futuramente, aos filatelistas de todas as partes, a oportunidade de ter em mãos um belo livro de selos postais reunindo as mais belas paisagens japonesas, com fotos, selos e textos explicativos sobre cada local. Além dos selos e da folha, foi emitido também um carimbo. Os selos receberam trabalhos de arte
do designer Fumiaki Kanematsu além das belas fotos de Takita Keijchi, Takashi Nishida, Tiro Tetsu, Kanematusu Fumiaki e Kida e Norio Watanabe Katsuhiro.
A jornada tem sido gratificante, porém; quando paro para refletir a respeito da passagem desses 31 anos de atividades voltadas à filatelia, confesso que me assusto um pouco. Não porque o tempo escoou rapidamente e dessa forma, a gente vai envelhecendo, mas porque muito do que foi abordado acabou se perdendo pelo caminho. É evidente que as colunas e as páginas dedicadas à filatelia e outros colecionismos estão ainda impressas nessas publicações que devem estar perdidas em bibliotecas, em acervos de colecionadores e nos arquivos desses editores que ainda mantém suas publicações circulando. Hoje me peguei remexendo antigos papéis e esse reencontro com o passado me levou a pensar sobre tantos temas que de repente podem voltar à ordem do dia porque os selos, principalmente, resguardam sua própria hi
stória e mesmo com todos os avanços, sempre é bom tornar a exaltar as possibilidades de uma nova coleção ou tema envolvente. Quando dei os primeiros passos no jornalismo filatélico o fiz por puro acaso, já que detinha comigo vários selos deixados por meu pai dentro de um envelope. Pena que aquelas peças todas somente serviriam como uma lembrança do homem que tinha sim, a noção do filatelista e da filatelia, mas que por motivos que desconheço foi apenas mais um entre tantos ajuntadores de selos. Mas a sua atitude valeu muito, porque num belo dia de 1977 quando eu era redator e repórter do já extinto Jornal dos Bairros de Curitiba, recebi uma carta de um cidadão pedindo um pequeno espaço para divulgar a filatelia. A carta vinha da cidade paranaense de Castro e é claro que nós oferecemos uma coluna onde o Dirceu Teixeira de Lima semanalmente informava os leitores sobre novos lançamentos e curiosidades filatélicas. Pena que isso durou pouco tempo, já que por decisão dos proprietários do jornal, o mesmo deixava de circular. Pois bem; a idéia do Dirceu aliada a minha vontade de saber mais sobre filatelia me levou a escrever também e comecei a procurar outros jornais
onde pudesse levar essas informações. Passei pelo jornal Curitiba Shopping, pela Revista Panorama, por diversas publicações de curta duração e até de informativos internos de algumas empresas que me davam um cantinho para escrever sobre selos postais. Consegui finalmente uma coluna maior no Jornal do Estado, que segue circulando ainda hoje. Só que um dia acabei recebendo a proposta para escrever o Jornal do Colecionador nas páginas de O Estado do Paraná, espaço este que muito antes já havia sido assinado por outros e que estava por lá esquecido. Era um novo desafio, já que O Estado do Paraná tinha mais tradição e um público leitor dominical muito grande, principalmente no interior paranaense. Os resultados foram imediatos, com dezenas de cartas toda semana oriundas de cidades que eu nem sabia existirem. A surpresa maior logo na primeira edição do Jornal do Colecionador sob minha responsabilidade foi deparar com um espaço de meia página, coisa que ninguém poderia imaginar por aqui. Alguns meses depois, saia a
primeira edição com as ilustrações em cores, uma revolução ainda maior e assim, durante 16 anos o Jornal do Colecionador me exigiu esforços de toda ordem, já que toda semana, na quarta-feira, os artigos tinham que estar nas mãos do editor. Muitas vezes, de ônibus, outras de bicicleta e outras a pé mesmo, lá ia eu com o artigo e com a certeza da missão cumprida. O reconhecimento viria pouco mais tarde através das medalhas de bronze, prata e prata grande auferidas em algumas exposições que participei. Já lá se vão três anos sem o Jornal do Colecionador impresso, afinal de contas, os jornais também sentem os efeitos da crise e acabam diminuindo suas páginas de maneira que muitas pessoas envolvidas com a cultura acabaram ficando de fora. Não seria diferente comigo, mas sempre serei muito grato ao jornal O Estado do Paraná por ter aberto por tanto tempo suas páginas para que eu pudesse enfatizar a arte de colecionar selos. Como é que eu iria deixar de escrever sobre selos? De jeito maneira e foi assim que parti para o blog achando na época que os resultados seriam péssimos. Enganei-
me redondamente, porque com o blog passei a atingir pessoas de todo o Brasil e muitas do exterior. O blog já até rendeu uma medalha de prata na Lubrapex e é claro que irei em breve para outras exposições. Mas o prêmio maior é a receptividade das pessoas, já que a média diária de visitas fica em torno das 23. O que me surpreende hoje em dia é que não consigo, e nem sei explicar as razões, manter a mesma linha de quando escrevia para o jornal. Recordo que era um ritual sagrado escolher os assuntos e buscar os artigos e ilustrações. Hoje, talvez pelas atividades profissionais, acabo não podendo estar atualizando o espaço como eu gostaria, mas na medida do possível vou trazendo sempre alguma nova informação. Creio que a gente relaxa quando não se tem um compromisso tão sério como acontece com um jornal de grande circulação. Mas estou aqui pensando seriamente em reformular meus dias de maneira que possa até resgatar alguns antigos artigos que se mantém atualizados. São 31 anos de jornalismo filatélico e de muita satisfação pessoal pelo reconhecimento do trabalho, pelo incentivo de muitas pessoas, pelo
apoio de comerciantes filatélicos como o Lindolfo Pires, da Pires Filatelia e do professor Cael, da Filatélica Olho de Boi que ao longo de toda essa jornada sempre estiveram do meu lado dando aquela força. Eu quero agradecer uma vez mais ao grande amigo Dirceu Teixeira de Lima, lá de Castro, por ter um dia cruzado o meu caminho e assim, permitido que eu me aventurasse também nessa salutar arte da filatelia. O grande Dirceu segue editando o seu Boletim Globofil e escrevendo suas colunas em jornais da sua região, sempre eufórico e muito solicitado, inclusive nas escolas, para falar sobre selos postais e filatelia. Agora, eu quero pensar um pouco em todos aqueles que também tiveram importância ao longo desse tempo, seja por uma sugestão, por uma carta, por uma homenagem, por um abraço e um sorriso sinceros e que infelizmente já nos deixaram. Não vou listar seus nomes para
não cometer o erro de esquecer alguém, mas cada uma dessas pessoas por certo que deixou sua marca neste magnífico universo da filatelia e cabe a nós, que ainda estamos no dia a dia enfatizando esta salutar arte, seguir batalhando para que o selo postal resista aos modernismos e que possa continuar a vislumbrar nossos olhares quando, em exposições, deparamos com coleções ricas em detalhes, poderosas em conteúdo e, acima de tudo, espelhos fantásticos que refletem todos os esforços daqueles que são autênticos e dedicados colecionadores de selos postais.
Desde 1999 a Austrália vem incentivando os filatelistas a realizarem a escolha dos melhores selos emitidos a cada ano e agora, depois de uma grande votação, os colecionadores australianos decidiram revelar seu amor pela natureza e escolheram uma bonita série que exalta algumas espécies de aves que habitam o país e que são muito conhecidas pelos belos e inimitáveis cantos. A participação dos filatelistas nesta escolha foi de fundamental importância, já que a partir desse programa de votação, os correios do país podem também fazer análises interessantes para a confecção de futuros programas de emissões filatélicas. É sempre bom lembrar que a Austrália, ao logo das ultimas décadas tem brindado a classe filatélica com ricas e vistosas emissões, que também estão permitindo muitos avanços quando o assunto é filatelia temática.
O Canadá e a Suécia possuem duas criaturas marítimas intrigantes e em comum: a lontra e o boto. Diante disso e visando exaltar também a necessidade da preservação dessas espécies, os correios canadenses decidiram fazer circular dois selos projetados pelo designer sueco Morck Martin, que desde 1978 tem produzido muitas obras de arte para inúmeras administrações postais. “Minha idéia era juntar os dois animais sem mostrar seu ambiente natural específico e assim, tentei captura-los em algum lugar, tanto na frente e atrás da água, como submersos ou na superfície, já que a água é o seu elemento comum.” As imagens foram gravadas pelo sueco Lars Sjooblom,mestre entalhador e com base em fotografias dos animais. O resultado ficou magnífico e a lontra e o boto são mostrados em um cenário de ondas e bolhas, atingindo o objetivo do artista cujo desejo era criar um fundo diferente e, ao mesmo tempo, proporcionar um efeito de movimento quando cada selo é colocado, um ao lado do outro. Para Danielle Trottier, gerente de design e produção de carimbos no Canadá Post, “é sempre muito divertido trabalhar com outras administrações postais e utilizando um pouco de suas modernas tecnologias”, observando ainda que a Suécia é líder mundial em gravura de selos postais. Ela assinala também que nesta emissão foram introduzidas perfurações elípticas, tudo para modernizar o selo postal e vir de encontro aos anseios de todos os filatelistas.
As primeiras esculturas de Rodin foram feitas na cozinha de sua mãe, com massa que ela usava para fazer pão. O talento do menino “arteiro” dava seus primeiros sinais e logo aos 14 anos, aquele que viria a ser um dos escultores mais geniais da história já tinha aulas numa pequena academia. Sua obra e sua vida ocupam extensas páginas e curiosidades, como a sua primeira grande obra, L’Age d’Airain, tão realista na aparência que ele foi acusado de ter usado um molde extraído diretamente de um modelo vivo. Auguste Rodin nasceu em Paris, em 12 de novembro de 1840 e faleceu em 17 de novembro de 1917 em Meudon. Revoluc
ionou a escultura enfatizando a expressividade da forma e nos deixando, entre tantas obras famosas, O Pensador e O Beijo, esta inserida no selo postal emitido por Mônaco para exaltar os seus 170 anos de nascimento. Muitos outros selos foram emitidos anteriormente pela França, Holanda, Inglaterra e outros países que decidiram homenagear o gênio da escultura e assim, ao longo do tempo permitiram à filatelia abrir um interessante caminho temático e dessa maneira,fizeram com que alguns filatelistas aceitassem o desafio e viessem a formar interessantes coleções sobre o artista.
Fica aqui a sugestão para quem está pensando em um novo tema.